O que aprendi na noite de ontem

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Sempre me interessei por política. Não porque achava genial (porque.. né?), mas porque entendo ser essencial e parte do que é ser cidadão. O discurso de “política não se discute” nunca fez sentido pra mim e ter diferentes visões e discussões, pra mim, só agregava e não diminuía. Se eu nem tentar ver o outro lado, como posso certeza do lado que faz sentido pra mim?

No meio dessa turbulência que vivemos, uma parte de mim fica feliz de ver que política se tornou motivo de interesse e discussão. Parte de mim, não sabe se estão apenas esperando a próxima oportunidade pra vomitar opiniões, sem muita reflexão.

Eu, que sou a favor do impeachment, confesso que senti um gosto amargo em muitos votos “sim” da noite de ontem, em cada dedicatória reacionária, voto partidário e no inacreditável voto a favor homenageando o golpe de 64, sem o menor constrangimento. Senti também indignação no discurso inflamado e no populismo dos voto “não”, em cada história de vitimismo de ter um vice-presidente assustador pra assumir o país (mesmo que tenham votado nele, duas vezes, em dois mandatos).

Não escrevo pra explicar porque sou a favor, também não cobro justificativas dos que são contra. Fato é que não foi um domingo fácil pra Dilma, mas foi um dia ainda mais díficil pra ser brasileiro. Foram quase seis horas de um show de horrores pra chocar desde a completa falta de plural e concordância até um cuspe no meio do congresso — mais tarde esclarecidocom um “ele começou primeiro”. Tá tudo errado. Poucos foram os momentos em que vi ali a vontade de fazer um Brasil melhor e não dá pra comemorar uma vitória com um sorridente e tranquilo Eduardo Cunha no final.

Por isso, escrevo. Ontem a transmissão da votação (em seu auge) alcançou um recorde de ibope semelhante apenas às finais de Copa do Mundo e isso, sim, me dá esperança. O Brasil viu — sem edições — o circo de seus representantes. Como podem ser esses os responsáveis por “representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos”?

Talvez seja esse tapa na cara que faltava pra cada um enxergar a gravidade da situação e entender a importância da história que estamos escrevendo. Somos todos, também, protagonistas deste escândalo.

Hoje, tentando “ver o outro lado”, percebi que o que está nas minhas mãos agora de verdade é fazer a minha parte. A minha parte pra a gente ter mais diálogo, menos impunidade, mais reflexão, menos hipocrisia, mais maturidade política, menos deboche político… Aprendi que não dá mais pra querer escolher lado em um país já tão dividido e fragilizado e, espero, que você tenha aprendido isso também.

Texto publicado originalmente no Medium.

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